Comissão da Câmara dos Deputados aprova proposta que proíbe guarda compartilhada em caso de violência familiar

Lenon de Paula

Comissão da Câmara dos Deputados aprova proposta que proíbe guarda compartilhada em caso de violência familiar
Foto: Renan Mattos (Diário / Arquivo)

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou proposta que proíbe a guarda compartilhada nos casos em que um dos pais pratica violência contra o outro ou contra o filho e mesmo em casos de indícios ou risco de isso ocorrer. O texto aprovado altera o Código Civil e o Código de Processo Civil.

O Código Civil atualmente estabelece como regra geral a guarda compartilhada de filhos, não devendo ser adotada pelo juiz apenas quando uma das partes assim o desejar.

A relatora, deputada Leandre (PSD-PR), considera que a legislação vigente é incapaz de lidar adequadamente com as peculiaridades de cada caso concreto. Ela propôs um substitutivo incorporando alterações previstas em dois projetos de lei: PL 29/20 e PL 3696/20.

O novo texto passa a impedir a guarda compartilhada em caso de violência praticada por um dos genitores contra o outro ou contra o filho, como prevê o PL 29/20, e também estabelece que o juiz, nas ações de guarda, deverá questionar previamente o Ministério Público e as partes sobre situações de violência doméstica ou familiar envolvendo os pais ou qualquer deles e um filho.

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– Considero importante ainda estabelecer expressamente no Código Civil que, nas situações em que houver prova ou indícios suficientes de violência por um dos pais ou genitores contra a vida, a integridade física ou psicológica, a liberdade, a dignidade sexual, a saúde corporal ou a honra do outro ou de filho, a guarda de criança ou adolescente seja entregue àquele que não seja o autor ou responsável pelos fatos – diz a relatora.

A proposta tramita em caráter conclusivo e será ainda analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Verbas para combate à violência contra crianças é tema de audiência

Foto: Renan Mattos (Arquivo / Diário)

A Comissão de Legislação Participativa debate na terça-feira (6) a prevenção à violência contra crianças e adolescentes no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2023. As deputadas Erika Kokay (PT-DF) e Maria do Rosário (PT-RS), que pediram a audiência, afirmam que a prevenção da violência contra crianças e adolescentes pode ser prevenida já no orçamento público.

Elas reclamam, no entanto, que não há diretriz nesse sentido na na legislação orçamentária da União.

– A ausência de dotação orçamentária exclusiva e com proteção fiscal na Lei Orçamentária Anual torna letra morta as ações de prevenção previstas nos planos setoriais que tem suas implementações obstaculizadas por questões operacionais e de dotação de recursos – afirmam as deputadas no documento em que pedem o debate.

A audiência será realizada no plenário 3 da Câmara dos Deputados a partir das 14 horas. Haverá transmissão ao vivo do evento na página oficial da Câmara dos Deputados no YouTube. Os interessados poderão participar pelo chat. Foram convidados para discutir o assunto representantes dos seguintes órgãos, entre outros:

Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)

Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes

Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual

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